Segunda-feira, Outubro 31, 2011
Sábado, Julho 21, 2007
Frase
"Qualquer mudança, desde que reduzisse, economizasse e afrontasse os professores, foi considerada moderna e progressista" .
Santana Castilho, PÚBLICO, 19-07-2007
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Quarta-feira, Julho 18, 2007
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Quinta-feira, Julho 12, 2007
Portugal Cinzento
Ainda há quem se lembre do Portugal antes do 25 de Abril de 1974
Era um País cinzento.
O medo era uma constante em cada rosto que cruzavam as cidades, vilas ou aldeias.
Já há, quem preveja uma nova edição dessa época.
Porradinha e mau viver.
Os "bufos" farejam que nem cães, buscando a sua presa dentro dos gabinetes ou corredores do funcionalismo público.
Já aparecem aqui e acolá a perseguição política e a "caça às bruxas".
E o Povo está sereno e adormecido...
Esta sonolência popular dá-me medo.
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Quarta-feira, Julho 04, 2007
Quinta-feira, Junho 14, 2007
Ele vai nú
vai nú.vai ausente de vergonha e espanto, bamboleando-se, pederasta, pelos ground zero da loucura humana.
vai sem vinganças nem justiças, peidando-se aqui e ali, protegendo os pés meninos do braseiro que foram duas torres, conversando com os mortos como se estivessem vivos, abençoando generosamente os malditos.
Vai com salsa nos ouvidos, para não ouvir os tiros e as lágrimas - excepções ao silêncio esquelético.
Deus vai com venda de cabra cega para não dar pelas cabeças desgarradas dos corpos que já não se sabe onde estão, porque os tubarões comeram, porque as fogueiras devoraram, porque a destruição, porque o ódio, porque a selvajaria, porque a indiferença.
Deus vai pelas avenidas do sofrimento, sorrindo complacente e erguendo continências para as milícias danadas.
Deus vai de blindado, sorridente e cumprimentando de longe os soldados do crepúsculo.
Deus vai nú.
Desce pelos escombros humanos como que deslizando pelo corrimão da infância, consciente da inconsciência da história, como um diplomata com assento permanente no Conselho de Segurança das Contas Bancárias Suiças.
Deus vai impune, perseguindo os famintos pelas montanhas e pelos desertos, disparando morteiros sobre o desespero, despejando ódio pelas aldeias, deixando filhos sem mães e o mundo todo orfão. Pouco a pouco, este Deus que vai nú, revela a sua pura natureza e deixa indelével nas paredes do mundo a impressão digital do mistério.
Pouco a pouco toda a gente vai ficar a saber como é o inferno…
Porque o inferno é aqui.
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Segunda-feira, Junho 04, 2007
O Retorno do Avô
( O Avô levanta-se e com a bengala em punho começa a bater na mesinha da sala de estar, quebrando o vidro desta e a jarra que ali estivera. O neto assustado, foge assustado e grita a bom gritar por socorro. Pela porta lateral, entra Josefina, mulata roliça, com um tabuleiro, onde se podem ver um copo com água e os frascos com medicamentos. Chegando-se ao pé do velho que continua a partir a sala, vociferando e insultado tudo e todos diz carinhosamente)
- Paizinho então o que é isso? Tenha calma tudo vai acabar em bem. Já temos as passagens para Luanda. Tome os medicamentos para os nervos. Vá lá. Faça a vontade à sua Josefina. Tá bem?
- Vai chamar pai a outro sua cabra preta. Arreda zebra da tuge! Pira-te daqui antes que te mate.(Ao longe, ouve-se uma voz ténue, que parece vir de um quarto interior, chamando por Josefina)
- Josefina! Ó preta dum raio! Que tem o patrão?
- O mesmo do costume minha Senhora. O mesmo do costume.
( Entretanto o velho camabaleia e estatela-se no chão. Josefina corre para ele e tenta socorrê-lo. O neto perante a aparente acalmia, entra novamente na sala e junta-se a Josefina procurando indagar-se do estado do Avô)
- Pedrinho o que disseste ao Avô que o irritou tanto? Ele parece estar mesmo mal. Ó meu Deus que ele já revirou os olhos e deixou de respirar. Deus meu que ele está morto!
(Olhando para o tecto, parecendo procurar o céu infinito Josefina balbucia em tom pouco audível)
- O avião o trouxe e à terra retornou…
Josefina soluça de mansinho e afagando a cabeça de seu pai vai dizendo uma ladainha imperceptível. Pedrito levanta-se, pega na Play Station e liga a televisão. É hora do telejornal. Este abre com a seguinte notícia:
- Aumenta o número de mortes em Portugal derivado à Alzheimer. Cada vez mais, os idosos …
(apagam-se lentamente as luzes do palco e o som da TV vai diminuindo, como se acompanhasse o decréscimo da luminosidade. Do quarto da Patroa, ouvem-se sons flatulentos entre um ressonar intermitente )
Cai o pano
FIM
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